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Leitura e Releitura de Obras de Arte

Leitura de Obras de Arte

Em postagem anterior falei sobre o Olhar, o saber olhar.


No mundo atual a imagem faz parte do nosso cotidiano. Estamos acostumados com ela, na tv, no cinema, nos outdoors, nas revistas, nos jornais, etc.
A imagem é uma criação do homem. As primeiras imagens criadas foram feitas pelo homem da Pré-História nas cavernas, em lugares de difícil acesso e muito escuros.

Hoje, ao, contrário, elas são feitas para serem vistas, por isso são exibidas em lugares de maior visibilidade e que fazem delas grande divulgação. Logo, é preciso aprender a olhá-las melhor, porque elas sempre nos passam mensagens, informações, sugestões, influências, etc.

O mesmo se aplica às imagens das Obras de Arte. Podemos, simplesmente olhá-las, mas se aprendemos a olhar as enxergaremos melhor e, consequentemente, mais tiraremos proveito delas. Devemos levar em conta que quanto mais cedo tivermos acesso a elas, a percebê-las, a ver suas qualidades plásticas, ou seja, os elementos da sua linguagem, que no caso das artes visuais são as suas cores, suas formas, suas texturas, sua luminosidade, as relações entre elas, seu tema, etc, mais cedo saberemos lê-las, porque vamos sendo sensibilizados gradativamente e nosso olhar vai aprendendo a fazer a isso.

"a leitura é mediada pelo olhar, mas devemos esclarecer que esse olhar não é apenas uma decorrência do ato de ver, de enxergar, de pura percepção visual, é muito mais do que isso. É necessário saber olhar (...)" Isaac Antônio Camargo

Em seguida vamos nos interessando mais por elas, a entender o seu signifcado, a sua época, o seu processo artístico, o seu estilo, o seu autor, a sua poética, a sua importância, a analisá-las para entendê-las, para interpretá-las. Elas vão, cada vez mais, se tornando para nós fonte de conhecimento histórico, social, artístico, estético, enfim, cultura.

Neste momento, então, melhor poderemos fazer uma releitura das imagens das Obras de Arte, de outras e do mundo.


Releitura de Obras de Arte



A partir da leitura de Obras de Arte, vários artistas, em diferentes épocas, puderam criar as suas guiando-se pela tradição, fazendo a releitura delas.

Exemplos interessantes
Abaixo, escultura num sarcófago romano, do século III d.C., que serviu de inspiração para uma gravura de Rafael, no século XVI, grande artista renascentista. Os artistas do Renascimento se inspiravam na arte greco-romana.


Abaixo, "O Julgamento de Páris", de Marcantonei Raimundi, do século XVI, é uma obra de 1520 e releitura da gravura feita por Rafael, que foi perdida.



Abaixo, "O Concerto Campestre", do século XVI, de Georgione, segundo alguns, ou de Ticiano, segundo outros, artistas renascentistas; também é uma releitura da gravura de Rafael.



Abaixo "O Almoço na Relva", de Edouard Manet, do século XIX, 1863, é também uma releitura da obra de Rafael.


Abaixo, obra de Claude Monet, também artista do século XIX,
que é uma releitura da obra de Edouard Manet.



Abaixo, obras de Pablo Picasso, artista do século XX, que fez também a releitura da obra de Manet em 1961 e depois fez releituras da suas releituras.









"Cada um desses momentos artísticos propunha um modo de compreender e revelar o mundo e, consequentemente, um modo de realizar a significação que foi se modificando com o passar do tempo." Isaac Antônio Camargo


Veja em:
http://artevis.blogspot.com/2007_06_01_archive.html




Padrões Geométricos



Geometrismo


Desde a Pré-História, as formas geométricas são utilizadas na arte.



Também os Padrões geométricos sempre foram utilizados em diversas culturas e épocas, nas artes visuais (desenho, pintura), no artesanato, nos tecidos, na arquitetura (paredes, pisos, janelas, teto), nas tapeçarias, em móveis, nas luminárias, etc.


No Oriente destaca-se na azulejaria e na tapeçaria, na Grécia antiga nas faixas gregas, em Roma nos mosaicos, na Inglaterra no piso de igreja, na África nas estampas de tecido e na tapeçaria, através de diferentes técnicas como a de impressão, molde vazado, o batik __ na costa oriental (Quênia e Moçambique} até à costa ocidental (Nigéria, Gana e Benin).


Segundo alguns, esta corrente é a que mais faz parte da História da Arte.


Abaixo alguns trabalhos em que fiz uso das formas geométricas, criando padrões.


Sem título - Leíse Paim
caneta hidrográfica s/papel



Sem título - Leíse Paim
caneta hidrográfica s/papel




Sem título - Leíse Paim
caneta hidrográfica s/papel



Sem título - Leíse Paim
caneta hidrográfica s/papel




Veja em:
http://pt.wikipedia.org/wiki/Mosaico
http://pt.wikipedia.org/wiki/Ficheiro:YorkMinsterStainedGlass.jpg
http://wikipedia.org.wiki/Ficheiro:Farsh_Tabriz.jpg
http://pt.wikipedia.org/wiki/Ficheiro:tapete_de_arraiolo



Faixa Decorativa

Aprendendo a ver e a valorizar


"A primeira tarefa da educação é ensinar a ver..." É através dos olhos que as crianças tomam contato com a beleza e o fascínio do mundo..." Rubem Alves

"A educação se divide em duas partes: educação das habilidades e educação das sensibilidades..." Rubem Alves


"Sem a educação das sensibilidades as habilidades são tolas e sem sentido." Rubem Alves

Infelizmente, estamos diariamente vendo a cidade sendo pichada, nada escapa: prédios, muros, monumentos, obras de arte, e a natureza sendo destruída. Durante minhas aulas, sempre procurei conversar a esse respeito com os alunos. Levava recortes de jornal com fotos para que pudessem ver e discutir o fato noticiado e refletirem sobre a importância de se preservar os bens culturais e outros, como os da nossa cidade e do nosso Estado, no caso o Rio de Janeiro, porque são o patrimônio do nosso povo, do nosso país, um tesouro que devemos, como cidadãos, respeitar e cuidar. Conscientizados disso, acredito que, certamente, contribuirão os jovens para esta necessidade.




Fonte Amélia - Teresópolis - RJ
Foto de jornal


Numa das aulas mostrei foto de um jornal com a imagem da Fonte Amélia, localizada na entrada da cidade de Teresópolis, que fora pichada __ logo após ter sido reformada __ por tres adolescentes menores de dezoito anos que foram flagrados pichando muros e encaminhados ao Juizado de Menores, onde foi decidido que teriam que pintar os locais rabiscados e limpar a fonte, coberta de azulejos estampados em azul e branco.

A partir desta sensibilização para as atividades, tiveram os alunos a possibilidade de verem vídeos e livros (ex. na faixa ao lado em "Li e Recomendo") com imagens de diferentes tipos de construções arquitetônicas em diversos países, inclusive no Brasil, revestidas com azulejos onde foram empregados diversos temas, padrões variados, frisos, faixas decorativas com desenhos geométricos, ornamentais, florais, policromáticos e monocromáticos em azul e branco. Viram também que a arte da tapeçaria foi influenciada pela arte da azulejaria, sendo emoldurada por faixas e utilizada nas paredes e tetos das igrejas.


Desenho Criativo Dirigido

É o desenho cujo tema, a técnica e o material são sugeridos por alguém mas o desenhista tem a liberdade de criar.

 
"Eu acredito que devemos apresentar as plantas às crianças e ensinar as diferentes maneiras como podemos nos relacionar com elas e apreciá-las. Nós estamos neste mundo, nós vivemos, por causa das plantas, são elas que fazem o mundo habitável para nós. Vivemos pela graça delas e não elas por nossa graça." Seonaid Robertson


Para as aulas práticas, com trabalhos simples, mas significativos e sem esterótipos, propus primeiramente que os alunos colhessem folhas e/ou flores caídas das árvores no pátio da escola. Depois, que as tocassem sentindo suas texturas, suas nervuras, seus volumes, relevos, sua aspereza, seu peso, sua temperatura, as sensações que provocam, etc. Em seguida que escolhessem algumas destas características para desenharem as formas observadas e sentidas em material com transparência.
Desenho de Observação

Desenho de Observação é a representação gráfica de algum elemento da realidade que se vê.
 
Sem título - aluna Érica
Desenho de Observação
lápis grafite e lápis de cor s/ papel vegetal, colado s/ papel ofício


Na atividade acima, os alunos trabalharam também com o elemento da transparência.

"Através do exercíco de observação, o olhar se estende ao outro, à sensibilização." Joedy Luciana Barros Marins


Faixa Decorativa

Faixa Decorativa é uma superfície, em forma de retângulo, que se alonga, e na qual motivos são representados repetidamente de forma simples ou alternada a fim de serem criados efeitos estéticos.


A proposta seguinte foi a de que construissem faixas decorativas, através do desenho de observação, da natureza e suas características, com a repetição da imagem e dos elementos da linguagem plástica nela observados como linha de contorno, pontos, linhas diversas, cores e texturas. A imaginação também foi objeto da atividade, pois não havia a preocupação com a verossimilhança. Nesta etapa trabalharam com a opacidade e outros materiais.



Sem título - aluna Monalisa Luania - 11 anos - 4a. série

Desenho de Criação

Caneta hidrográfica s/ papel ofício, colado s/ cartolina

No trabalho acima, foi escolhido pela aluna a representação repetida de um só motivo em diferentes posições criando efeito visual, Movimento com a inclinação das linhas, uma Composição Gráfica, e também a opacidade.


"Quero ensinar as crianças. Elas ainda têm olhos encantados." Rubens Alves

"Seus olhos são dotados daquela qualidade que, para os gregos, era o início do pensamento..." Rubem Alves

"(...) capacidade de se assombrar diante do banal." Rubem Alves



Sem título - aluno Rafael - 12 anos - 4a. série


Desenho de Criação

caneta hodrográfica s/ papel ofício colado s/ cartolina


No trabalho acima, o aluno representou vários motivos, repetindo suas formas, diferentes tamanhos e posições, o que caracteriza, como os demais um Desenho com Repetição de Formas.


"Na escola eu aprendi complicadas classificações botânicas, taxonomias, nomes latinos __ mas esqueci." Rubem Alves

"Mas nenhum professor jamais chamou a minha atenção para a beleza de uma árvore..." Rubem Alves

"Parece que naquele tempo, as escolas estavam mais preocupadas em fazer com que os alunos decorassem palavras para a qual elas apontam." Rubem Alves

"As palavras só tem sentido se nos ajudam a ver o mundo melhor. Aprendemos palavras para melhorar os olhos." Rubem Alves

"Há muitas pessoas de visão perfeita que nada vêem. O ato de ver não é coisa natural. Precisa ser aprendido." Rubem Alves


Sem título - aluna Caroline Soraia - 12 anos - 5a. série
Desenho de Criação
caneta hidrográfica s/ papel ofício, colado s/ cartolina


No trabalho acima, a aluna representou dois motivos. criando Rítmo, ou seja, repetindo mas variando o tamanho e a posição das formas em intervalos com efeito de continuidade.

No final, os desenhos foram expostos e comentados pelos alunos.


Para aprofundar

Depois de fazerem e discutirem sobre os seus trabalhos significativos, a partir da realidade mas levando em conta a sua interpretação, a sensibilização para a arte através da referência aos seus conteúdos, foram feitos mais alguns comentários sobre a história da arte da azulejaria, ou seja, a produção na história da arte, a sua origem no Oriente, o seu emprego na Porta de Ishtar no séc. VII a.C. e em Palácios na Pérsia, a sua divulgação pelos árabes na Península Ibérica, as suas transformações, os temas e as cores de acordo com a época e o lugar, a sua importância na arte decorativa de Portugal, de muitas influências mas com suas características, que através deste país chegou ao Brasil, e no entanto mais tarde teve sua azulejaria influenciada pelo nosso. Foi mostrada também a sua utilização no Brasil e os artistas que aqui fizeram uso dela como arte, e como kitsh.



Porta de Isthar

 

 
Portinari
 

 
Djanira



Athos Bulcão
 

 
portuguesa 


A seguir, algumas frases que os alunos escreveram sobre o que descobriram com a aula.

"A arte nasceu de uma forma natural, ninguém na época sabia que iria continuar depois de uma forma mais científica. A arte hoje é uma das coisas mais admiradas pelo homem. Ela mostra a origem do homem, sua realidade, o homem em relação ao seu universo." Domingos - 8a. série

"A história dos períodos da arte foi uma aula muito interessante para mim, eu aprendi um pouco de cultura. Quem não tem cultura não entende nada." Leonardo - 8a. série

"Eu entendi que a arte é uma coisa que nós temos que cultivar e guardar (...) E passar para outras pessoas que vierem." Carlos Alberto - 6a. série


Nota: Os trabalhos desta postagem não são recentes.


Técnica de Reprodução


A Reprodução de Imagens

pode ser feita através de vários processos:


gravura em metal, litografia (em pedra), xilografia (em madeira), linóleo (em linóleo), serigrafia (em nylon) e outras técnicas de impressão.


"A arte não é a imitação da vida: a vida é que é a imitação de algo transcendental com que a arte nos põe em contato." Artaud


Abaixo, dois trabalhos de dobradura, recorte, colagem e pintura sobre papel branco, feitos por alunos meus.




Sem título - de aluno
Dobradura, rcorte , pintura a nankin s/ papel ofício colado s/ cartolina
Desenho de Criação




Sem título - de aluno
Dobradura, recorte e pintura a nankin s/ papel ofício colado s/ cartolina
Desenho de Criação


Estes trabalhos partiram de dobraduras de papel branco com formas recortadas que em seguida foi esticado, pintado e colado sobre cartolina branca. Tiveram como resultado formas abstratas (formas que não distingue um tema) e simétricas (quando as formas se reptem a partir de um eixo central).


Abaixo, trabalhos de um aluno feitos com o mesmo processo.

 
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Sem título - de aluno
Pintura a guache s/ papel ofício s/ cartolina
Desenho de Criação


O trabalho acima foi pintado com tinta guache e serviu para a técnica de impressão com extêncil empregada no trabalho abaixo.



Sem título - de aluno
Pintura a guache s/ papel jornal
Desenho de Criação



O resultado obtido foi a reprodução da imagem monocromática, ou seja, de uma só cor, da forma positiva (a forma recortada) do primeiro trabalho.

"Na arte cabem a regra e a emoção, o rigor e a intuição, a fantasia mais desbragada e o cálculo matemático." Frederico de Moraes
 
Trabalho de mais um aluno:

 



Sem título - aluno Márcio

Pintura a guache s/ papel jornal
Desenho de Criação


Abaixo, a forma que serviu de extêncil para a pintura monocromática acima transformou-se num trabalho policromático, ou seja, de várias cores, feito com papel celofane colado atrás do extêncil pintado de preto e em seguida colado sobre cartolina branca.



 
sem título - aluno Márccio
Técnica Mista - dobradura, recorte e colagem s/ papel
Trabalho de Criação


O aluno teve a oportunidade, então, de com o mesmo trabalho fazer também uma experiência com transparência e opacidade.


A impressão repetida do primeiro trabalho, ou seja, do extêncil, provocou variedade de tons, linhas, formas, tamanhos e direções que sugeriram ao aluno figuras marinhas, nas quais interferiu com grafismo. O resultado é um trabalho monocromático e dinâmico.




Sem título - aluno Márcio
Técnica Mista - desenho a caneta hidrográfica e pintura a guache s/ papel jornal - aluno Márcio
Trabalho de Criação




No trabalho abaixo, também a partir de uma impressão que ficou com menos contraste de tons pretos, o aluno fez linhas de contorno nas formas criando figuras e pintou a superfície com várias cores sugerindo reflexos na água, o que resultou num trabalho policromático.



 
Sem título - aluno Márcio
Técnica Mista - desenho a caneta hidrográfica e pintura a guache s/ papel jornal

Trabalho de Criação


" A imaginação vem dos mesmos lugares que a memória." Aristóteles.


Abaixo uma forma tridimensional feita com o mesmo processo de trabalho, a pintura com extêncil, depois recortada, colada em cartolina e dobrada. O resultado foi a figura de um animal, sugerida pela forma bidimensional da pintura com extêncil.


Sem título - aluno Márcio
Pintura, recorte, colagem e dobradura s/ papel kraft
Escultura de Criação


"Na construção de um objeto está implícita a captura de uma forma, o que revela um ato constitutivo do pensamento e da percepção" Marleau-Ponty, 1975


Podemos observar que a partir de uma proposição, foi possível o aluno experimentar vários materiais (tesoura, papel jornal, papel ofício, papel canson papel kraft, papel celofane, cartolina, tinta nankin, tinta guache, tinta acrílica, cola), várias modalidades (desenho, pintura e objeto), várias técnicas (recorte, colagem e impressão) e elementos da linguagem visual (formas bidimensionais, formas tridimensionais, formas geométricas,ou seja, formas abstratas formais, e formas figurativas, diferentes tipos e espessuras de linhas, cores, texturas, volume, transparência e opacidade), o que lhe permitiu desenvolver habilidades, a imaginação e a criatividade de forma singular e significativa, ou seja, sem estereótipos e cópias.


A sistematização foi feita com filme de vídeo sobre a reprodutibilidade das imagens no mundo moderno, sobre obras de arte feitas com gravuras, técnica de impressão com extêncil e obras simétricas como as de Rubem Valentim.


Veja em:



Abaixo um vídeo do Youtube com as obras de Rubem Valentim



A Técnica de Impressão com Stencil

O stencil é uma técnica bem antiga. Foi usada pelos orientais e mais tarde por diversos povos e culturas, com diferentes finalidades: para estampar, para decorar , para assinaturas em série, como propaganda e em materiais de guerra, porque é fácil de se trabalhar sobre qualquer suporte: papel, tecido, parede, madeira, etc. Os moldes podem ser de acetato ou cartolina. Nos trabalhos acima usamos papel de jornal, para que pudesse ser dobrado várias vezes antes do recorte. Quando o recorte se origina de um desenho feito a grafite, o molde deve ser cortado sobre um material rígido para proteger a base sob ele, como por exemplo uma mesa.


A Stencil Art

O stencil, além de ser muito usado no artesanato, é também uma técnica utilizada em forma de arte, a Stencil Art. Foi usada pelos artistas da década de 30, da École de Paris, e, hoje, pelos artistas que a adequaram à arte contemporânea, utilizando como suporte as paredes das ruas de diversas cidades. Alguns têm seu nome reconhecido, mas outros são desconhecidos. Teve início com Alex Vallauri, nos anos 70, que influenciou outras gerações de artistas buscando "transformar o urbano como arte viva". Nos anos 80 foi criticada por alguns mas elogiada por outros, chegando, mais tarde, a ser exposta em museus de vanguarda.


Agora você pode começar a fazer vários trabalhos a partir do processo explicado nesta postagem.



A seguir frases de alguns alunos sobre as aulas de artes plásticas.


"Entendi que os povos que ainda não eram civilizados também faziam arte nas rochas, etc. Os povos da Idade Antiga procuravam aperfeiçoar cada vez mais suas artes. No Renascimento tentavam imitar o máximo possível o natural. Depois que surgiu a máquina fotográfica os artistas começaram a pintar de forma diferente, coisas que a máquina fotográfica não podia retratar." Márcia - 6a. série



"Eu entendi muita, muita coisa, antes eu não entendia na de Artes Plásticas. Na aula de artes plásticas nós aprendemos História, vimos muita coisa, assitimos vídeos, slides da Antiguidade, Idade Média, Idade Moderna. Aprendi técnicas modernas (...). Nas artes plásticas se tem que ter muita atenção, concentração e respeito para aprender." Antônio Carlos - 8a. série


Nota: Os trabalhos desta postagem não são recentes.




Desenhos Criativos

Criatividade

Para uma sociedade se transformar é necessário que as pessoas que fazem parte dela não se acomodem e sejam criativas.

"A criatividade é importante para que o desenho seja um suporte para a impressão de visões originais e inovadoras da realidade." Barros Marins

As crianças são criativas por natureza, mas a escola e a família podem torná-las apreciadoras dos estereótipos, incentivando-as a copiarem modelos de desenhos estereotipados, ou seja, mecanizados, como por exemplo montanhas com sol se pondo e gaivotas esquematizadas voando, olhos em meia lua, etc. Isto fará com que pensem que não sabem desenhar se não souberem fazer estereótipos.

"A escola parece ser o habitat natural dos estereótipos (...)sob o pretexto ou a ilusão de tornar o ambiente ou a aprendizagem mais atraente, agradavel, interessante para a criança. Todos gostam e as crianças desde cedo aprendem a amar os estereótipos." Maria Letícia Rauen Vianna

"Nós os usamos simplesmente porque gostamos, achamos "bonitinhos", "fofinhos", "uma gracinha" (...)
nos parecem tão familiares, tão inofensivos..." Maria Letícia Rauen Vianna

A Dra. Maria Letícia Rauen Vianna foi minha exigente e excelente professora quando fiz licenciatura em Eduação Artística/Artes Plásticas, no Rio de Janeiro. Ela é Arte Educadora e artista visual especialista em Arte Educação, Mestre em Artes e Doutora em Arte com estágio na Sorbone, em Paris. Escreveu o livro "Desenhando com todos os Lados do
Cérebro" __ possibilidades para transformações das imagens escolares.

Durante as aulas falou que gostava muito de desenhar quando criança, mas que seus desenhos não iam para o painel dos melhores na escola, e isto fez com que passasse a fazer desenhos estereotipados para serem aceitos. Quando fez o curso Normal isto se intensificou, porque devia copiar os modelos de desenho que a professora tinha em seu arquivo: bichinhos, flores, etc. com o objetivo de servirem para decorar pastas e cadernos de alunos. Quando fez a Faculdade de Belas Artes, percebeu que o importante era criar, e não copiar, passando a buscar seu próprio desenho. Então, mais tarde, ao dar aula para professores, desenvolveu o método para desestereotipar os desenhos, através de exercícios em sequência de desenhos sucessivos transformando desenhos estereotipados em não estereotipados nos quais os alunos faziam desenho de observação, de memória visual, de imaginação ou fantasia, etc. a partir da escolha de um estereótipo para trabalhar até chegar a um desenho pessoal. 

Uma das atividades que propus aos meus alunos, para desenvolverem a criatividade e desenhos singulares, resultou em interessantes trabalhos, como por exemplo os a seguir.


                      

"Texas" - Tatiana, 6a. série
Grafite, hidrográfica e lápis de cor s/papel
Desenho de Criação




"Brincadeira na Selva" - Sheila - aluna, 6a. série
Grafite e caneta hidrográfica s/papel
Desenho de Criação




"A Coruja" - William - aluno, 6a. série
Grafite e lápis de cor s/papel
Desenho de Criação




"A Vaca Exagerada" - Michelle - aluna, 6a. série
Grafite e lápis de cor s/papel
Desenho de Criação




"O Soldado" - Kelmany Roberto - aluno, 6a. série
Grafite e lápis de cor s/papel
Desenho de Criação




"Saramandaia" - Fátima - aluna, 9a. série
Grafite e caneta hidrográfica s/papel
Desenho de Criação




"Fim dos Tempos" - Fabrício - aluno, 9a.série
Grafite s/papel
Desenho de Criação



"A Dançarina" - Érica - aluna, 6a. série
Grafite e lápis de cor s/papel
Desenho de Criação


 Nesta atividade foram trabalhados também vários conteúdos, tais como:

linha de contorno, superfície, forma positiva e negativa, desenho, pintura, recorte e colagem, texto decorrente e teatro de vara. Foi feita a sistematização com obras de arte, vídeo sobre teatro de vara, análise dos trabalhos e das aulas. A forma surgiu com o nome do próprio aluno, depois recortada, contornada e criado o desenho de acordo com que a forma sugeria a eles.

A seguir algumas frases de alunos sobre o que descobriram nas aulas de artes plásticas.

"Entendi que a arte é uma forma interessante para nós conhecermos as idéias e imaginação de nossos antepassados."  Nathalie - 7a. série


"A história da arte foi evoluindo através das imagens que o homem podia mostrar, de sua inteligência, criatividade, fantasia. Sem o homem não existiria arte."  Miguel Pedro - 7a. série 




Nota:  Os trabalhos desta postagem não são recentes.




Manchas que se transformam em figuras


Desenhos e pinturas a partir de manchas



Pode-se fazer manchas ou aproveitá-las, para criar figuras por elas sugeridas.


Este processo se dá através da Gestalt, forma ou figura que a nossa mente preenche a partir, por exemplo, da semelhança dela com outra forma, e de modo simples para que possa ser compreendidada facilmente.



Abaixo vídeos do Youtube com um trabalhos feitos com este processo.







Tente, também, criar a partir de uma mancha encontrada em qualquer superfície.


Rabiscos que se transformam em figuras

Desenho de figuras a partir de rabiscos
 
Pode-se fazer rabiscos espontâneos, capazes de possibilitar figuras não antes imaginadas pelo desenhista, pois os rabiscos é que vão sugerir as formas com as quais ele criará um desenho.

 
Abaixo um desenho feito através deste processo.

 
"A Mulher de Chapéu Vermelho" - Leíse Paim, 1985
lápis de cor s/ papel
Desenho de Criação

 

No trabalho acima foi mantido o rabisco fora da figura, para que o processo ficasse registrado. O traço foi criado com lápis preto e cores foram depois acrescentadas ao desenho.

Os traços rápidos, espontâneos e abstratos são formas gráficas e significativas, que podem servir para se criar desenhos interessantes.

"a capacidade de visualizar, perceber e aceitar o que o próprio traço lhe dá, promove um grande diálogo entre a criança e o acontecimento do papel. Sugere que ela observa e é capaz de reter em sua memória uma grande quantidade de informação visual." Edith Derdyk

Segundo Edith Derdyk, este processe permite que a criança desenvolva uma operação mental intensa, pois ela associa, relaciona, combina, identifica sintetiza, faz analogias visuais ou intelectual, expressando uma agilização de seus conteúdos formais.

Abaixo outro desenho feito através deste processo.


 
"A dançarina" - Leíse Paim, 1985
lápis cera s/ papel

Desenho de Criação
 
No trabalho acima todo o rabisco forma a figura.

Pode-se acrescentar também outros traços para se completar o trabalho.


Nota:  Os trabalhos desta postagem não são recentes.


O Ensino da Arte

A Arte e o Ensino da Arte


"(...) senhores, não é possível estar dentro da civilização e fora da arte." Rui Barbosa


O desenho

É bom, também, se ter informações sobre o passado da linguagem do desenho, conhecer as mudanças de interesses dos temas, devido as transformações da sociedade, sua visão de mundo e como estas influenciam o estudo do desenho.


"Todos os grandes mestres renascentistas e pós-renascentistas insistiam na importância do desenho para a formação do pintor. E, independentemente de suas palavras, seus quadros e esculturas estão aí para comprovar essa importância." Ferreira Gullar


Séc. XVI,XVII e XVIII - O NÚ
A produção artística destes períodos tinha a ver com este tema, por isso era essencial o nú no ensino do desenho.

No Brasil o ensino era oferecido pelos religiosos com as regras renascentistas.

Veja em:

http://pt.wikipedia.org/wiki/Escultura_do_Renascimento_Italiana


Mas o nú ainda é um tema que alguns artistas empregam em seus trabalhos.

Vejam a seguir dois vídeos, do Youtube, sobre aula atual de desenho de modelo vivo com nú artístico.





Séc. XIX - A NATUREZA
O desenho era essencial neste século, para se fazer uma pintura ou uma escultura. Por isso ele era obrigatório no ensino da arte, assim como a observação da natureza.

No Brasil, surge o ensino do desenho, a Escola de Belas Artes e a Escola de Artífices, por vontade de D.João VI. Eram importantes as lições neoclássicas dos mestres franceses e europeus e a influência da Missão Francesa que orientava estas escolas, com o objetivo de implantar o ensino das artes no país da maneira como era feito na Europa.

"A arte acadêmca, que os impressionistas puseram a pique, fundava-se na tradição renascentista do desenho." Ferreira Gullar

No Brasil houve medidas educacionais para que o país se tornasse moderno, como era na Europa e nos Estados Unidos. Joaquim de Vasconcelos e Rui Barbosa, entre outros, divulga suas ideias para a Reforma do ensino primário baseadas nas ideias estrangeiras, mas adaptadas à cultura brasileira. Rui Barbosa defendia o ensino do desenho e da arte aplicada, que era feita no Liceu de Artes e Ofícios do Rio de Janeiro, para o qual deveriam vir contratados professores da Áustria ou da Inglaterra, a fim de fundarem a Escola Nacional de Arte Aplicada.

"Que agente é esse, capaz de operar no mundo sem a perda de uma gota de sangue, essas transformações incalculáveis, prosperar ou empobrecer os Estados, vestir ou despir os povos o manto da opulência comercial? O desenho senhores, unicamente, esta modesta e amavel disciplina, pacificadora, comunicativa e afetuosa entre todas, o desenho professado às crianças e aos adultos até a universidade, como base obrigatória da educação de todas as camadas sociais (...). Bem, ide vendo, senhores não é possível estar dentro da civilização e fora da arte." Rui Barbosa

Joaquim de Vasconcelos e Rui Barbosa criticavam o ensino do desenho linear geométrico das escolas brasileiras, porque não inovava a ciência do desenho, e porque o ensino artístico era feito com soletração do a, b, c, uma forma tão absurda quanto no ensino da lingua. E, também, porque paralisava a vista, fomentava a preguiça, a inércia e a incapacidade da criança ao entregar-lhe logo um compasso e uma régua, diziam eles.

Veja em:

http://www.dezenovinte.net/ensino+artístico/cadesenhoobjv.htm

Sec. XX - A Arte Moderna
Houve reinvindicações no ensino da arte, a arte infantil foi valorizada e o interesse pelo desenho aumentou no ensino profissional por causa da necessidade de mão de obra especializada para a indústria. Houve, então, aula de desenho geométrico, decorativo, de repetição e alternância, de estudo da luz e da sombra, sobre tema, de observação da figura humana, de flores e objetos. Era usado nesta época o método livre e o auto-expressivo, sem as regras dos períodos anteriores.

1929 - A Escola Brasileira de Arte, criada nesta época, em São Paulo, foi a primeira escola pública de arte para que as crianças pudessem continuar estudando arte. A professora Sebastiana levou doze anos para criá-la, segundo pesquisa da arte-educadora Ana Mae Barbosa, sobre o ensino da arte na América Latina.

"Theodore Braga (...) lutava pelo ensino que aprimorasse o desenho nas classes trabalhadoras. Na época copiavam os catálogos, o que ele era contra. Theodore aceitava o geometrismo, mas baseado na flora e na fauna brasilelra. Ele quer o pensar, o traçar e o exercitar o desenho." Ana Mae Barbosa

1948 - Criação das Escolinhas de Arte do Brasil. A primeira foi no Rio de Janeiro, criada por Augusto Rodrigues. Começava a institucionalização do ensino da arte, apesar de já haverem algumas experiências do ensino modernista na arte que eram aulas de desenho de observação, desenho decorativo e desenho gráfico, conforme diz Ana Mae Barbosa, pesquisadora da Arte Educação, em suas palestras e livros.

1950 - Música, Canto Orfeônico e Trabalhos Manuais são inseridos no ensino.

1960 - Surge a Escola Nova, que foi iniciada na Europa e EUA. Trata-se de escolas experimentais, com ênfase na expressão, na espontaneidade do aluno, influencidadas por John Dewey, Victor Lowenfeld, Herbert Read e no Brasil também por Augusto Rodrigues, criador da Escolinha de Arte do Brasil do Rio de Janeiro, cujo princípio era a "Educação Através da Arte", com o objetivo de que as crianças, por si só criativas, fossem menos competitivas, mais cooperativas, e sabendo que não estavam lá para serem artistas.

"Na Inglaterra, os arte-ducadores modernistas tiveram tremendo apoio de críticos de arte e dos artistas. Na América Latina os arte-educadores modernistas, em geral, sofreram muito por parte dos artistas, dos críticos e dos historiadores conservadores." Ana Mae Barbosa

A seguir um vídeo, do Youtube, sobre o desenho de Picasso



"Picasso nunca subestimou o papel do desenho na pintura. Tornou-se pelo contrário, o grande desenhista de nossa época." Ferreira Gullar

1970 - É implantada a educação artística nas escolas. É o período da Pedagogia Tecnicista, que ainda existe em algumas delas. O objetivo é saber construir, usar diferentes materiais e a expressão de espontaneidade sem muito conhecimento da arte.

1980 - O entendimento sobre a arte tornou-se outro. Surgiram várias linguagens, vários estilos e acabou,então, a preocupação com a pureza no ensino da arte, porém a prática não levou em conta a necessidade de ser significativa para o aluno. Repetiam-se conceitos e propostas antigas. A desconstrução passou a ser o método de se ensinar arte, sem a preocupação com o resultado ideológico.

Houve movimento de arte-educadores, luta pela obrigatoriedade de arte nas escolas e a ideia de uma Nova Lei de Diretrizes e Bases para novas experiências pedagógicas, pós-graduação na disciplina, novos conceitos, arte como sistema de conhecimento do mundo, do fazer artístico, apreciação de obras de arte, história da arte, interdisciplinaridade, a educação em arte servindo para transformar a sociedade. Não há, neste período, a importância no saber espontâneo, mas sim no que o aluno traz de fora da escola. O professor é um mediador levando-o aos conteúdos culturais universais e permanentemente realizados.

"Para desconstruir é preciso ter construído."

"Ser original é ser um mesmo, partir de um mesmo, criar sem copiar nem imitar nada nem ninguém."

1990 - O desenho com o lado direito do cérebro era praticado em escolas americanas. O objetivo deste método é descobrir os impulsos criativos e individuais dos alunos e muitos artistas o experimentaram. No entanto não houve muita mudança no ensino da arte no curso superior.

"Se fosse possível criar pór meio de regras, Ticiano e Veronese seriam comuns e vulgares."

No Brasil, a arte-educadora Ana Mae Barbosa procura levar a arte e a estética à população através da educação de qualidade, na qual a arte é fundamental para uma educação transformadora. Na sua teoria, Metodologia Triangular, há o interesse do fazer artístico, a análise de obras artísticas e a história da arte, ou seja, teoria e prática de educação artística de acordo com as condições e necessidades dos alunos a fim de dominarem o conhecimento básico da arte, sendo preciso, então, professores que saibam arte e saibam ser professores de arte.

Séc. XXI - ARTE PÓS-MODERNA
Agora, no ensino do desenho, a proposta é que esta linguagem revele pensamentos e as coisas vivenciadas, possibilitando assim a criação de outras linguagens, a partir da exploração de várias.

"Na passagem do modernismo para opós-modernismo __eu sou testemunha, porque sofri horrores__artistas modernistas considerados de vanguarda modernista rejeitavam a imagem na sala de aula para crianças e adolescentes. O modernismo (...) evitava qualquer contato com arte ou então inventava-se uma arte escolar, uma arte para fazer na escola, sem correspondência no mundo da arte." Ana Mae Barbosa

2000/2003 - Foram feitas nesta época, novas experiências na FAP, com práticas signficativas propostas por Lygia Clark e Hélio Oiticica, com trabalhos coletivos e experimentais, através dos sentidos e do corpo, para ampliar a percepção. Depois os resultados obtidos eram desenhados pelos alunos com o objetivo de pensar a própria prática. Fizeram também um blog com a produção, comentário e reflexão de cada um sobre as suas experiências sensoriais.


"Todas as percepções estimulam processos interiores no ser humano, vivificam ou perturbam parcialmente órgãos específicos e influenciam o nosso estado geral." Peter Kunz


A professora Rosa Iavelberg, uma das autoras dos Parâmetros Curriculares Nacionais (PCNs) na área de arte, diz que há falta de prática de criação nas escolas, em diferentes linguagens e suas especificidades. Há prática em relação ao meio ambiente, à saúde, a datas comemorativas e à aprendizagem de outras disciplinas, mas sem ênfase nos conteúdos próprios da arte. Não há, inclusive, adoção de livros devido à desvalorização da área, avaliação dos projetos desenvolvidos nas escolas, como por exemplo a aprendizagem dos conteúdos da arte, pouca visita cultural e pouco estudo da arte brasileira e regionais. Ainda, segundo ela, é preciso a formação de mais professores de arte e para isso também a melhoria no reconhecimento da profissão. Na Lei de Diretrizes e Bases, agora passa a ser obrigatória no ensino da arte a ênfase nas expressões regionais para os estudantes das Escolas de Educação Básica, ou seja, os do ensino Infantil, Fundamental e Médio, a fim de que haja o desenvolvimento cultural daqueles que estudam.

"Saber desenhar é um modo de possuir a realidade, de poder inclusive inventar-lhe sucedâneos." Ferreira Gullar